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Conflitos Fundiários: Impactos do Novo CPC em Ações Possessórias
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Conflitos Fundiários: Impactos do Novo CPC em Ações Possessórias

16/02/2026Redação RLFonte: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2021/05/Sumario_Executivo_INSPER_2021_04_05.pdf | https://www.conjur.com.br/wp-content/uploads/2026/01/doc_160682312.pdf | https://www.conjur.com.br/2025-set-30/apropriacao-de-terras-por-estrangeiros-ocorre-de-forma-sutil-dizem-especialistas/ | https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2020/07/TCOT-041_2019_PT.pdf | https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2024/05/manual-complet-sisbajud-2a-edicao.pdf | https://www.cnj.jus.br/sistemas/sisbajud/informacoes-sobre-as-regras-negociais-do-sisbajud/ | https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2020/09/5MÓDULO-DE-AFASTAMENTO-DE-SIGILO-BANCÁRIO.pdf | https://www.cnj.jus.br/sistemas/sisbajud/noticias/ | https://www.cnj.jus.br/agendas/sisbajud-2021-principais-inovacoes-e-resultados/ | https://www.cnj.jus.br/sistemas/sisbajud/regulamento-do-sisbajud/

Entenda como o Novo Código de Processo Civil de 2015 impactou as ações possessórias coletivas de bens imóveis, alterando a dinâmica dos conflitos fundiários urbanos e rurais no Brasil.

Conflitos Fundiários: Impactos do Novo CPC em Ações Possessórias

Conflitos fundiários são um desafio significativo para o sistema de justiça brasileiro, envolvendo disputas complexas sobre a posse e propriedade de bens imóveis. Esses conflitos frequentemente afetam grupos vulneráveis e famílias de baixa renda, resultando em despejos, remoções forçadas e violações de direitos fundamentais. Em 2009, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) destacou a gravidade do problema com a Recomendação n. 22/2009, solicitando aos tribunais que priorizem e monitorem permanentemente demandas jurídicas envolvendo conflitos fundiários.

O Censo Demográfico de 2010 identificou a existência de 6.329 aglomerados subnormais no Brasil, onde estão localizados mais de três milhões de domicílios. Esses aglomerados são caracterizados pela ocupação ilegal da terra e pela precariedade de serviços públicos essenciais, refletindo a magnitude dos conflitos fundiários no país.

Panorama das Ações Possessórias Coletivas

Ações possessórias são um dos principais instrumentos processuais para discutir conflitos fundiários coletivos no Judiciário. Entre 1998 e 2008, essas ações representavam 75% do universo de decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), e 86% nas decisões do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). No contexto rural, representavam 34% das decisões em conflitos fundiários do TJSP e do TRF3, além de 82% no TJPR e no TRF4.

Um estudo conduzido pelo Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU) e pela Universidade Federal do ABC (UFABC) mostrou que as ações possessórias representavam 51% dos conflitos fundiários coletivos do TJSP no período de 2014 a 2015. Esses dados destacam a importância de um estudo abrangente e específico sobre a dinâmica dos litígios possessórios coletivos.

Impacto do Novo Código de Processo Civil de 2015

Em 2015, o Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105) introduziu uma série de modificações na regulação das ações possessórias, incluindo a tutela coletiva da posse e a estimulação da resolução autocompositiva dos conflitos por meio de audiências de mediação. O principal objetivo desta pesquisa é apresentar um diagnóstico abrangente sobre as ações possessórias coletivas de bens imóveis em diferentes instâncias do Judiciário brasileiro.

Os tribunais analisados incluem o Tribunal de Justiça de São Paulo (Sudeste), Tribunal de Justiça do Pará (Norte), Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (Centro-Oeste), Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (Sul), Tribunal de Justiça da Bahia (Nordeste) e Tribunal de Justiça de Pernambuco (Nordeste). Além disso, foram analisados os Tribunais Regionais Federais (TRF1, TRF3, TRF4, TRF5), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Metodologia da Pesquisa

A pesquisa utilizou quatro tipos de dados para configurar o diagnóstico sobre ações possessórias coletivas de bens imóveis e mostrar os impactos trazidos pelo Código de Processo Civil de 2015. O primeiro conjunto de dados compreende a base de gestão processual da justiça, sistematizada e organizada pelo Conselho Nacional de Justiça na Base Nacional de Dados do Poder Judiciário (DataJud).

O segundo conjunto de dados inclui os textos de decisões judiciais publicados nos Diários Oficiais de Justiça dos diferentes tribunais. O terceiro conjunto de dados foi obtido em repositórios públicos de jurisprudência de tribunais, e o quarto tipo de dados foi obtido por meio de entrevistas semiestruturadas com atores-chave do sistema de justiça, advogados e advogadas que atuam em litígios possessórios coletivos de bens imóveis.

Principais Resultados da Pesquisa

A pesquisa revelou que as ações possessórias coletivas de bens imóveis são predominantes no tratamento de conflitos fundiários no Judiciário. Além disso, houve mudanças significativas nas ações possessórias coletivas de bens imóveis com as alterações normativas do Código de Processo Civil de 2015, especialmente no que diz respeito à tutela coletiva da posse e à resolução autocompositiva dos conflitos.

As audiências de justificação, inspeção judicial e mediação tornaram-se mais frequentes, refletindo a permeabilidade das decisões judiciais às alterações do Novo CPC. A pesquisa também destacou a importância da função social da propriedade e dos direitos reivindicados pelas partes, como o direito à moradia.

Dica da Retomada Legal

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